‘Virei estatística de novo’, diz escritora ao denunciar estupro de motorista da Uber

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Clara Averbuck, que relatou estupro de motorista do Uber, já havia falado sobre um caso de estupro de quando tinha 13 anos.

Por Rafael Bruza

A escritora Clara Averbuck / Foto – Reprodução (Arquivo pessoal/Facebook)

A escritora Clara Averbuck denunciou nesta segunda-feira (28) ter sido vítima de estupro de um motorista de Uber. A denúncia em público foi feita através de uma publicação no Facebook, em que Clara relata que o motorista “se aproveitou de seu estado” para enfiar “o dedo imundo” nela.

“Bom, virei estatística de novo”, diz a escritora. “Queria chamar de ‘tentativa de estupro’, mas foi estupro mesmo. Tava bêbada? Tava. Foda-se. Não vou incorrer no mesmo erro de quando eu era adolescente e me culpar. Fui violada de novo, violada porque sou mulher, violada porque estava vulnerável e mesmo que não estivesse poderia ter acontecido também”, disse Clara na postagem.

“O nojento do motorista do Uber aproveitou meu estado, minha saia, minha calcinha pequena e enfiou um dedo imundo em mim, ainda pagando de que estava ajudando ‘a bêbada’. Estou machucada, mas estou em casa e medicada pra me acalmar”.

No ano passado, Clara Averbuck relatou um estupro que supostamente sofreu quando tinha 13 anos.

O motorista da Uber foi suspenso do cargo, segundo a empresa, e não teve identidade revelada.

Em nota, a Uber disse que “repudia qualquer tipo de violência contra mulheres”.

“O motorista parceiro foi banido e estamos à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações. Acreditamos na importância de combater, coibir e denunciar casos de assédio e violência contra a mulher”, diz a nota.

Clara Averbuck afirma que está decidindo se irá denunciar o caso na Delegacia da Mulher.

“Estou decidindo se quero me submeter à violência que é ir numa delegacia da mulher ser questionada, já que a violência sexual é o único crime que a vítima é que tem que provar. não quero impunidade de criminoso sexual, mas também não quero me submeter à violência de estado. Justamente por ter levado tantas mulheres na delegacia é que eu sei o que me espera. Estou ponderando. Estou com o olho roxo e a culpa de ter bebido e me colocado em posição vulnerável não me larga. A culpa não é minha. Eu sei. A dor, a raiva e a impotência também não me largam. Estou falando tudo isso para que todas as que me leem saibam que pode acontecer com qualquer uma, a qualquer momento, e que o desamparo e o desespero são inevitáveis. o mundo é um lugar horrível pra ser mulher”, disse Clara no Facebook.

Repercussão

Milhares de internautas se solidarizaram com Clara Averbuck através do Twitter.

Outros não acreditaram na versão da escritora.

 

 

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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