“Você pensa que eu sou Patrícia Pillar pra bater?”

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Observação: este artigo recebeu milhares de visitas recentes de internautas que buscam informações sobre uma suposta agressão de Ciro Gomes a sua ex-esposa e atriz, Patricia Pillar. Na verdade, o artigo abaixo expõe a crítica de Cristina Diniz sobre uma fala do youtuber Arthur do Val (MamãeFalei), ligado ao MBL, contra Ciro Gomes. Mas como editor do Independente, eu, Rafael Bruza, decidi esclarecer os fatos para evitar decepções e desentendimentos.

Vamos aos fatos. Não existe acusação de que Ciro Gomes agrediu sua ex-esposa, Patrícia Pillar. Isto é uma fake news. Em 2002, quando foi candidato à presidente, o pedetista disse, durante entrevista, que a importância de Patrícia Pillar, na campanha estava no fato de “dormir” com ele.

Isto gerou muitas críticas à época, prejudicando a candidatura do pedetista, que recentemente lamentou pela fala.

“Talvez possa ter sido o maior erro que cometi na vida”, reconheceu Ciro.

Ciro e Patrícia Pillar são divorciados, mas ela declarou voto no pedetista numa entrevista ao jornal O Globo, onde também declarou que o pedetista “não é machista”.

“Convivi 17 anos com ele e ele nunca foi machista. Naquela campanha, ele era uma alternativa ao PT e ao PSDB, e estava super exposto, apanhando dos dois lados. Todas as entrevistas dele em que eu estava presente aparecia essa pergunta e sempre de forma provocativa. E, neste dia, já era a terceira ou quarta. Ele já tinha respondido que eu era sua companheira, que conversávamos sobre tudo, porque era isso mesmo, compartilhávamos um projeto de Brasil. Mas aí perdeu a paciência e deu aquela resposta infeliz”, diz ela.

Em setembro, Patrícia também esteve num encontro entre Ciro com artistas e intelectuais.

Portanto, Ciro Gomes não agrediu Patrícia Pillar. Fez uma declaração considerada machista em 2002 e mantém boa relação com a atriz até hoje.

Obrigado pela atenção, desculpe a necessidade de esclarecimento (Rafael Bruza).

Vamos ao artigo de opinião:

Por Cristina Diniz

O que realmente deveria ser discutido no caso Ciro Gomes x MamãeFalei?

Não há exagero quando se diz que estamos lidando com fanáticos. Instigar o ódio é irresponsável. E, aparentemente, é a principal estratégia de certos veículos de mídia hoje.

Sobre a validez ou moralidade do “pescotapa” que supostamente o candidato Ciro Gomes acertou em Arthur do Val, ativista do MBL, me abstenho. Acho que podemos concordar que são dois homens adultos que não precisam de tanta mobilização em suas defesas.

O que me assusta são os comentários imediatamente feitos por Arthur após o tapa. E o fato de que a mídia não está discutindo isso.

“Você pensa que eu sou a Patrícia Pillar pra você bater?”

Patrícia Pillar foi agredida por Ciro Gomes? Por que a parceira do homem deve ser ligada à uma situação de violência? Era pra ser uma piada?

Chequei, e a não ser que Ciro e Patrícia tenham feito um excelente trabalho para apagar qualquer mídia negativa, não existe histórico de violência pela parte do Ciro. Aliás, aqui tem uma entrevista da Patrícia que não deixa dúvidas.

Confesso que descartar a hipótese de violência foi o mais importante pra mim. Se esse comentário não tem fundamento, então é puro mau gosto. Um mau gosto perigoso.

O Brasil tem a quinta maior taxa de feminicídio do mundo. São mais de 12 mulheres assassinadas por dia pelos seus namorados ou maridos. E estima-se que mais de 12 mil são agredidas diariamente.

Uma “piada” dessas em um canal de comunicação com mais de 1 milhão de seguidores é repudiável. Que seus seguidores não tenham olhos para isso é pior ainda.

Em menos de 2 segundos de uma fala nojenta, ele traz outra:

“Tá achando que você tá no Nordeste?”

Opa, em que momento está legitimado ofender um povo? Arthur, o que os nordestinos fizeram pra você? Qual a justificativa para ser racista? Era pra ser outra piada? Associar Coronelismo ao Nordeste em 2018 é o melhor que consegue sair da sua boca?

Que fique registrado, essa imagem ficou exposta na Avenida Paulista durante algumas horas dessa segunda feira (9/04)

São tempos perigosos. Não se trata mais de “colocar fogo no Brasil”. Onde chegamos hoje, esses grupos extremistas já estão “colocando gasolina e explosivos” no incêndio.

Se há uma indignação com uma possível agressão a esse homem, que haja proporcionalmente uma indignação com a conduta do próprio.

Sugerir violência à mulher e incitar ódio aos Nordestinos?

Essas lutas já estão amadurecidas demais para tolerar esse tipo de agressão.

Arthur do Val, até então eu não te conhecia e não tinha nenhum motivo pra assistir os seus vídeos. Depois desse ocorrido, fui no canal e busco as motivações para esse seu ativismo. Qual o fim?

Chamar atenção para essas duas frases perigosas que estão sendo ignoradas por muitos abre uma outra conversa ainda mais séria: em qual momento a difusão do discurso de ódio ou de violência entre organizações políticas tornou-se estratégico? Por quê vende? E pra quem?

Maquiavel já sugeria que se abster de insultos verbais ou físicos era uma importante estratégia política. E pelo que se pode acompanhar de Movimentos Livres e certos candidatos, isso que está sendo feito não é política.

Isso é outra coisa.

Por Cristina Diniz, Bacharel em RELAÇÕES INTERNACIONAIS – UNIVALI/Santa Catarina
Pós-Graduada em Inovação Social pelo Instituto Amani.

Artigo do site medium aqui

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