Coletes, extintores e bombas de porão: a checagem de segurança que antecede a compra do barco

Na compra de uma embarcação usada, a atenção do comprador costuma se concentrar no motor, no acabamento e no preço. Os itens de segurança, muitas vezes guardados em compartimentos pouco visitados, acabam ficando para depois. Profissionais do setor náutico alertam que essa ordem deveria ser invertida: o estado dos equipamentos de salvatagem e de combate a emergências diz muito sobre como o barco foi cuidado pelo dono anterior.

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Itens que devem estar a bordo

A Marinha do Brasil estabelece, em suas normas para embarcações de esporte e recreio, os equipamentos obrigatórios conforme o tipo e a área de navegação. Entre os itens mais comuns estão coletes salva-vidas em quantidade compatível com a lotação, extintores de incêndio, boias, luzes de navegação, sinalização sonora e, em navegações mais afastadas da costa, artefatos pirotécnicos de sinalização.

Na vistoria antes da compra, vale observar:

  • se os coletes estão em bom estado e no tamanho adequado para adultos e crianças;
  • a validade e a carga dos extintores;
  • o funcionamento das luzes de navegação e da buzina;
  • se as bombas de porão ligam no modo manual e no automático;
  • a validade dos sinalizadores, quando exigidos.

A bomba de porão revela mais do que parece

Um dos pontos mais negligenciados é a bomba de porão, responsável por retirar a água que entra no casco. Bombas que não funcionam, mangueiras ressecadas ou boias de acionamento travadas indicam falta de manutenção e podem esconder infiltrações. Um porão com água acumulada, cheiro forte de combustível ou óleo também é sinal de alerta.

A instalação elétrica merece atenção semelhante. Emendas improvisadas, fios expostos e fusíveis substituídos de forma inadequada representam risco de pane e de incêndio a bordo, situação especialmente grave em alto-mar.

Procedência e inspeção técnica

Para quem pretende comprar lancha seminova, a recomendação é não depender apenas da própria avaliação. Empresas do setor, como a Kadu Marine, com 38 anos no mercado náutico e loja de seminovos em Itaguaí (RJ), informam que as embarcações anunciadas passam por inspeção técnica e revisão documental, com verificação de horas de motor e procedência, antes de serem listadas.

Mesmo em negociações diretas entre particulares, especialistas sugerem um teste na água, com tempo suficiente para que motor e sistemas sejam exigidos de verdade, além da conferência da inscrição da embarcação na Capitania dos Portos.

Segurança é responsabilidade contínua

A checagem não termina com a compra. Depois de assumir o barco, o novo proprietário deve manter os equipamentos revisados, respeitar a lotação máxima, consultar a previsão do tempo antes de sair e garantir que o condutor tenha habilitação compatível com a navegação pretendida. Também é recomendável informar alguém em terra sobre o roteiro e o horário previsto de retorno.

Pequenos cuidados, repetidos a cada saída, reduzem riscos e fazem com que o passeio termine como começou: com todos a bordo e em segurança.

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